fora do lugar
fala sem pensar
depois se arrepende
entende
não mente
esquece e engole
difícil de digerir
é pior de corrigir
orgulho não engana
nenhum nome chama
acende a ascendência
tomar cuidado é só crença
salga o rosto
amargo gosto
me envenena
os tão belos recortes
me lembrei de reformar
recordei todo retoque
me esqueci de confirmar
sem pontuação
sem querer parar
me contei alguns segredos
vi nenhum segundo
ou segundo dum quarto
sala ou três meios
ou minutos nas semanas
nada disso vi passar
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
A última das sufocantes cartas
Eu te amo mais do que qualquer um será um dia capaz de compreender, já aceitei isso como uma condição de vida. A verdade é que sinto que preciso te escrever isso pelo menos mais uma vez, sinto que talvez seja a última.
Não sei por quanto tempo ainda poderei navegar pelas águas da lucidez, sei que estou perto de um novo fim, à beira de outro abismo. Sou a única culpada de minhas quedas, não precisa perder-se em pensamentos.
Toda energia concentrada em amar outras existências pode ter resultado nessa falta de bons sentimentos para me preencher. De tão cansada, mal sinto pena de mim mesma.
Nunca se pode afirmar quais serão suas últimas palavras caso não deixe de ver qualquer coisa, é baseada na minha cegueira - minha escuridão ou a flata de luz de todos nós - que assino minha própria lápide da sanidade mental.
Estou prestes a me afogar, alagar-me em rios de "está tudo bem". Vai ficar, ninguém há de confirmar, mas eu sei que vai.
Peço desculpas, afinal, não seria esta a minha mais bela declaração.
Se procuras por dramáticas palavras afetuosas, volte um pouco.
Apenas fique ciente do meu estado. Estou bem; lembrarei-me de você assim que não houver ponta alguma de claridade.
Cuidas da mente, corpo, coração. Não consegui lidar com nenhum deles, de nenhum de nós.
Não te esqueças de mim, permanecerei gravada em alguma forma, tente saber.
Despeço-me de tudo aqui, sem entregar-me completamente. Das batalhas, só saberemos quando a fadiga passar.
Não sei por quanto tempo ainda poderei navegar pelas águas da lucidez, sei que estou perto de um novo fim, à beira de outro abismo. Sou a única culpada de minhas quedas, não precisa perder-se em pensamentos.
Toda energia concentrada em amar outras existências pode ter resultado nessa falta de bons sentimentos para me preencher. De tão cansada, mal sinto pena de mim mesma.
Nunca se pode afirmar quais serão suas últimas palavras caso não deixe de ver qualquer coisa, é baseada na minha cegueira - minha escuridão ou a flata de luz de todos nós - que assino minha própria lápide da sanidade mental.
Estou prestes a me afogar, alagar-me em rios de "está tudo bem". Vai ficar, ninguém há de confirmar, mas eu sei que vai.
Peço desculpas, afinal, não seria esta a minha mais bela declaração.
Se procuras por dramáticas palavras afetuosas, volte um pouco.
Apenas fique ciente do meu estado. Estou bem; lembrarei-me de você assim que não houver ponta alguma de claridade.
Cuidas da mente, corpo, coração. Não consegui lidar com nenhum deles, de nenhum de nós.
Não te esqueças de mim, permanecerei gravada em alguma forma, tente saber.
Despeço-me de tudo aqui, sem entregar-me completamente. Das batalhas, só saberemos quando a fadiga passar.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Monólogo infinito
Hoje eu me olhei no espelho...
Ora, bolas! Conte-nos uma novidade! Estamos todos tão cansados de suas dissertações sobre si mesma. As reclamações e o choro, quando em demasia, tornam-se irrelevantes. Você não passa de mais uma insuportável e dramática jovenzinha que pensa que todos os problemas do mundo são teus e, pior ainda, acredita que resolverá tudo com um projeto de texto, com qualquer meia dúzia de bobas palavras.
Deixe-me continuar, certo? Bem, hoje eu me olhei no espelho e notei que a hora havia chegado.
Ignorar-te-ei.
Finalmente, libertei-me da última parte que faltava.
Prossiga.
Suspirei. Respirei. Inspirei. Fui e voltei.
Nós precisamos terminar.
Como assim, terminar? Somos um só!
E o que me diz de toda essa divisão? Somos preto e branco.
Então que viremos cinza!
Não, você não pensa na possibilidade d'eu querer alguma cor?
Branco é cor. Só não é cor colorida.
Você não vê que não fazemos sentido?
Nós nunca fizemos, nunca precisamos.
Eu não quero mais ser assim, escolhi por um lado só. Escolhi fazer sentido, escolhi ir reto, seguir o fluxo, deixar a correnteza me levar.
O que fizeram com você? Conosco? Comigo? Você não pode me fazer sair da sua mente assim.
Pois duvidas? Eu lhe garanto que posso!
Então me tire, me tire já.
Não posso, não posso até que você aceite. Enquanto você não aceitar, continuaremos a discutir.
Faremos dessa conversa um monólogo infinito.
Vejamos quem se importa mais.
Eu me importo contigo, isso sim.
Comigo? Nesse caso, já teria partido há muito tempo. Sabes que me faz mal, errei muito por sua culpa.
Escutou-me por opção.
Você gritava.
Nós gritávamos, gritávamos numa voz só. Gritamos eu, você, o coração, a alma. Gritamos tudo, todos.
Como me convenceu de tanto?
Dizendo o que quis ouvir. É, pelo visto vamos durar pra sempre.
Mas eu não quero!
Não tem querer, é assim que funciona. É assim com todos, por que acha que seria diferente contigo? Você se acha muito especial, não é verdade? Mesmo quando quer fazer parte de uma massa faz questão de fazê-lo de forma não convencional. Deve estar muito feliz agora, ninguém esperava por isso.
Eu não posso estar legal, não posso.
Está melhor do que nunca. Só não sei quem deve ser grato.
Ambos?
Todos.
E vazio continuará.
Sou muito organizada, deixe o preto longe do branco.
Sem contar que cinza é muito feio.
Como sempre, concordamos em discordar.
Isso até que admita que é sua verdadeira opinião.
Diga que mente.
Nós nunca mentimos.
Vamos, estamos ficando gelados.
Ninguém quer congelar-se no tempo, dentro de si. É o fim. O início. A continuação.
Nunca aconteceu.
Ora, bolas! Conte-nos uma novidade! Estamos todos tão cansados de suas dissertações sobre si mesma. As reclamações e o choro, quando em demasia, tornam-se irrelevantes. Você não passa de mais uma insuportável e dramática jovenzinha que pensa que todos os problemas do mundo são teus e, pior ainda, acredita que resolverá tudo com um projeto de texto, com qualquer meia dúzia de bobas palavras.
Deixe-me continuar, certo? Bem, hoje eu me olhei no espelho e notei que a hora havia chegado.
Ignorar-te-ei.
Finalmente, libertei-me da última parte que faltava.
Prossiga.
Suspirei. Respirei. Inspirei. Fui e voltei.
Nós precisamos terminar.
Como assim, terminar? Somos um só!
E o que me diz de toda essa divisão? Somos preto e branco.
Então que viremos cinza!
Não, você não pensa na possibilidade d'eu querer alguma cor?
Branco é cor. Só não é cor colorida.
Você não vê que não fazemos sentido?
Nós nunca fizemos, nunca precisamos.
Eu não quero mais ser assim, escolhi por um lado só. Escolhi fazer sentido, escolhi ir reto, seguir o fluxo, deixar a correnteza me levar.
O que fizeram com você? Conosco? Comigo? Você não pode me fazer sair da sua mente assim.
Pois duvidas? Eu lhe garanto que posso!
Então me tire, me tire já.
Não posso, não posso até que você aceite. Enquanto você não aceitar, continuaremos a discutir.
Faremos dessa conversa um monólogo infinito.
Vejamos quem se importa mais.
Eu me importo contigo, isso sim.
Comigo? Nesse caso, já teria partido há muito tempo. Sabes que me faz mal, errei muito por sua culpa.
Escutou-me por opção.
Você gritava.
Nós gritávamos, gritávamos numa voz só. Gritamos eu, você, o coração, a alma. Gritamos tudo, todos.
Como me convenceu de tanto?
Dizendo o que quis ouvir. É, pelo visto vamos durar pra sempre.
Mas eu não quero!
Não tem querer, é assim que funciona. É assim com todos, por que acha que seria diferente contigo? Você se acha muito especial, não é verdade? Mesmo quando quer fazer parte de uma massa faz questão de fazê-lo de forma não convencional. Deve estar muito feliz agora, ninguém esperava por isso.
Eu não posso estar legal, não posso.
Está melhor do que nunca. Só não sei quem deve ser grato.
Ambos?
Todos.
E vazio continuará.
Sou muito organizada, deixe o preto longe do branco.
Sem contar que cinza é muito feio.
Como sempre, concordamos em discordar.
Isso até que admita que é sua verdadeira opinião.
Diga que mente.
Nós nunca mentimos.
Vamos, estamos ficando gelados.
Ninguém quer congelar-se no tempo, dentro de si. É o fim. O início. A continuação.
Nunca aconteceu.
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