sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A menina dos morangos

Quando a encontrei pela primeira vez, seu olhar era tão triste e vazio quanto meu sorriso em nossa despedida. Minha curiosidade, imaginei, incomodava mais a mim do que a atrapalharia, então decidi me intrometer em sua melancolia.
Perguntei por que parecia tão triste e ela disse que não era só parecer. O motivo? A vida não é bonita e ela sabia. Além disso, acabaram os morangos. A vida acaba rápido, assim como os eles, e não é boa de se vir e ver.
Nossa estadia, se bem olhada, é linda; Infelizmente, alguns olhos foram condicionados a enxergar nada que não seja o horror do mundo.
Os morangos dão no Inverno.
Ela acha que essa vida é a mais terrível bênção que alguém pode querer.
Eu só penso que é curta e que ela deveria comprar mais morangos. A época deles logo terminará. É por isso que precisa procurar o que te agrada antes do seu fim.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Minhas dores são superficiais, egocêntricas e individualistas. Dor mimada. É dor de mal amada, dor de quem não pensa em nada pra poder evitar. É dor vazia. É também dor boa, passa que a gente nem vê. São dores que nem doem, já que é só lembrança. É drama.

Barco

Estava à deriva
Presa numa agonizante calmaria
Queria qualquer tragédia
Em vez disso, soprou minha vela uma esperança fina

Eu não vou perecer
Nunca vou perecer
Não me deixa comandar o meu barquinho
Ele é pequeno, mas é querido
Toma minha rota e meu coração

Eu não vou me perder
Nunca vou me perder
Não deixa eu me afogar em qualquer mar que não seja teu amor