sexta-feira, 25 de abril de 2014
Liquefeitas
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Mais um mar de dor
De tanta lágrima que vi, lágrima justificada já não me dava pena. A lágrima de casa, na verdade, pesava meu coração, mesmo que fosse mágoa com peso de pena. Afundava os batimentos numa dor conhecida há bastante tempo. Era dor tão conhecida que não me era agonia. A lágrima que de mim escorria era quente, era de raiva, ao ver a casa vazia e o corredor cheio de nada. O coração pesado pedia um perdão inconsciente, contente por não saber da rebeldia da mente. Mente que mentia sem saber que matava (lá dentro) gente.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
É como você
Todo pedacinho de matéria tem cor. Até o transparente pega emprestado do seu vizinho mais próximo.
Cada tom e luz e sombra, as misturas e os pincéis e cavaletes desmanchados, bagunça e sol e lua no céu. Cada pedra, estrada, folha e - se você com força fechar os olhos - o vento e a brisa. O mar, peixes, aves, répteis velozes e mamíferos enormes. As paredes. Eu. A raiva, a luxúria, a inveja. O branco e o preto e o cinza também se não é então é falta. Sorrisos e olhos, coração e fígado e fios de cabelo e pontas dos dedos. A paz, a carência, a coragem, a insolência. A insônia. O amor. Tudo que é tudo e de todos é cor. Te forma, constrói; te deixa e corrói. A dor.
Todo pedacinho de matéria é cor.