segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sete horas

O farfalhar das folhas velhas sob nossos pés dava o tom daquela tarde. Era tarde de som longínquo; era tarde bronze, ouro e quente. Ouro quente e viva. E comprida. A tarde que de tanto se fazer nossa virou a gente e a gente tão somente agente era, ao agir uma na outra. Ou talvez eu tenha perdido o que de fora agira na gente. Ou fosse tudo o mesmo.
De tão igual também era esse o clima: de abraço e beijo largos, preguiçosos... Na verdade, qualquer que fosse o sol e o vento, aquele beijo se estendia macio, confortável, beijo de cama ao fim ou começo de dia. A cama em si era variada e irrelevante; tecido, pele, outono ocre infinito, primavera verde indeterminável.
Irrelevante era o mundo. É o restante que tanto faz. O que importa é esse amor forte raiz de árvore.

Traços dum oito deitado

Como mapa em linhas
suaves, curvilíneas,
bem formadas,
juntinhas,
como caminho
observo,
aprecio.

É todo corpo circular e,
por circular, cíclico.
Cíclico, repetido.
Assim, infinito.

Eu que sempre distraída
estudo agora entretida,
embora por encantada perdida,
não desvio o olhar.