segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Qualquer uma/Ninguém ajuda

Era apenas um sapato vermelho, salto quebrado, deixado no meio do caminho. Uma viela do subúrbio brasileiro ao meio da tarde, daquelas que a gente sabe que nada ilumina. Ao redor, bares. Pra cada bar, uma igreja.
Qualquer um!
Ninguém ajuda. Era apenas qualquer uma.
Garrafa quebrada e cheiro de dor que já não é fresca. O som desta abafado.
Quem vai saber? Quem vai querer? Pobre, solta, da pele que ninguém nota (ah, todo mundo nota!). Não importa.
Era apenas o sangue seco que demarcava o palco da tragédia que esfriava enquanto todos ao redor permanecem calados.