Hoje foi um dia favorito. Nada de especial aconteceu, sequer foi particularmente bom. Foi apenas favorito porque dentro do meu peito algo canta que fora excelente, de poucos precedentes. Foi este peito que se encheu dum encanto simplório e pouco mágico, tão comum que é indescritível. Dia simples, mas tão diferente. Inefável.
Pode-se dizer, na verdade, que foi um mau dia. Atrasos, problemas, erros. Engraçado que num dia comum -- daqueles do jeito ruim -- eu seria destruída. Talvez eu tenha decidido que nada me estragaria enquanto estava naquela fila, desesperada atrás de um ônibus que no fim das contas me esperou (sinto muito pelo atraso alheio).
Tudo foi normal e mergulhei em fantasia e sonho, dependendo de quem me visse em cada hora. Tomei banho, sequei o cabelo, coloquei um traje de meu gosto e fui trabalhar. Era tudo diferente e fresco e o vento frio acordava meus pulmões para a primavera de mim mesma.
Era meu tipo de dia favorito. O sol aquecia bem quando necessitávamos de seus favores, as sombras poderiam muito bem acolher os que escolhem se recolher e a brisa é suave, fria e initerrupta. O dourado do fim de tarde mergulhava toda a periferia que vejo todos os dias no mais belo banho de ouro que tive o prazer de ver a caminho do dever. Aquele brilho dourado transforma um bloco de concreto puro na mais bela pedra usando apenas sombra e luz. Aquela luz. Aquela luz que não era ar mas me adentrava os pulmões. Que luz! E tudo me fazia sorrir. As aves, os gatos, os casais idosos, o céu. E eu sorri um sorriso largo e gostoso, daquela felicidade despretensiosa. Daquela felicidade consciente e sem motivo. Haveria maior felicidade que felicidade sem motivo? Pura, verdadeira, que nasce e morre em nós mesmos. Que felicidade! E de repente era eu a luz também.
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