domingo, 9 de dezembro de 2012

Dezenove ou vinte

Estava assistindo Melancolia, mas decidi sair para andar de bicicleta.
Às vezes tenho vontade de produzir meus próprios filmes.
Peguei meu caderninho, algumas canetinhas e um lápis, calcei tênis brancos e vesti meu casaco favorito. "Deixa eu te dar um beijo, mãe".
O vento estava bem frio para uma noite de novembro. O que me aconchegou foram as luzes de Natal amareladas e a canção que saía dos meus fones de ouvido. Ouvi Cais enquanto pedalava sobre o amistoso paralelepípedo e pela grama de uma feliz e piscante vizinhança. Sempre achei que eram mais simpáticos que o asfalto.
Cheguei ao playground vazio onde tentei me lembrar do início deste texto, já que pensei em como seria escrito desde que me levantei do sofá. Agora, só escuto o som das outras correias, um terrível sertanejo universitário que vem do bar recentemente aberto em frente ao condomínio e da ponta azul turquesa riscando o papel reciclado.
O céu mescla aquele horroroso laranja de nuvens carregadas e um reconfortante - veja só - azul. Não sou muito fã da cor. De fato, o laranja é a minha favorita, exceto lá em cima. Daí prefiro lilás, rosa ou salmão. Salmão é o nome certo? Já vi chamarem-na de salmón. Salmão é uma nuance do laranja? Deve estar entre isso e o rosa. Deveria existir uma linha de esmaltes chamada cores do céu. Ou deveria ter existido, já que acredito que teria feito maior sucesso no ápice de vendas de A Menina que Roubava Livros.
É só uma noite de domingo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário