terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mais uma tarde

Não faço as perguntas que quero porque, antes mesmo de conseguir formulá-las, já conheço a resposta.
O Sol brilha fraco, como minha esperanças de um dia entender ou esquecer. As nuvens são muitas, algumas ralas e outras cheias, mas o céu é quase todo branco. A claridade me faz cerrar os olhos. Não sei o que me prende, porém é real.
A gravidade é real. Caí dezenas de vezes; pode ser a fraqueza das minhas pernas. Versos californianos conversam comigo, dizem o que eu gostaria de dizer. Pena que já foi dito. Infelizmente, não foi dito pra você. Ou por mim. Está quente, eu sei, mas o calor não aquece meu coração.
Como é terrível se sentir incapaz de tentar quando a temperatura e os bons costumes nos dizem que devemos sorrir!
Minha cabeça dói. Tudo dói.
Tenho descontado minhas dores internas no corpo externo, mais uma vez. Peço desculpas. É difícil quando desaprendemos a gritar.
Removi os objetos pontiagudos de vista e tentei me concentrar em qualquer outro trabalho que não fosse a força que faço para não pensar. Sou covarde, continuo batendo em móveis e paredes que nada tem a ver com meu ódio.
Não se preocupe, meu bem, o ódio também não é seu. Ou quem sabe seja.
Sendo o ódio seu, continue em paz. Jamais seria capaz de te machucar. Nem mesmo como você me machucou. Não sou vingativa, apesar de descontrolada.
Tudo isso deve ser culpa do meu coração fino. O coração que é uma linha, qualquer toque já estoura. Apesar de explodir com a alegria, pessoa nenhuma coloca essa corda no lugar de novo, certo? Irreparável. A não ser quem a fez.
Continuarei me culpando, mostrando aqui fora as cicatrizes e roxos de dentro. Os punhos fechados e os sentimentos no concreto. Mais uma vez. E outra. E outra. E outra. E outra...

domingo, 8 de dezembro de 2013

1














Nem sempre é possível explicar as coisas que acontecem com a gente. Mesmo assim, tudo tem motivo.
Piscamos para que as lágrimas naturalmente limpem nossas córneas. O coração bate para fazer o sangue fluir.
Vai ver que choramos para que as lágrimas naturalmente limpem nossa alma e a tristeza bata para fazer a energia fluir.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Sinto minha juventude se esvair pelas minhas mãos e sei que sou muito nova para isso, mas é como se sempre tivesse sido velha. Deixei meu coração ser surrado quando ainda jovem demais para entender que cada ferimento aberto eventualmente cicatrizaria. Assim, provavelmente, dificultei minha cura.

domingo, 13 de outubro de 2013

A música

Levei muito tempo até compreender o que aquela música significava. Ela ecoava em minha mente o tempo todo, tocava meu coração e me fazia derramar lágrimas diferentes das outras. Pensei que fosse dor. Quem sabe fosse. Pensei até que o significado mais profundo fosse só aquilo. Eu sabia o que era. Eu não admitia. Eu falava sobre aquela música, sobre o que era, sobre quem falava. Não era sobre mim. Pensei que fosse um nós diferente. Pensei que pudesse dar um significado diferente. Não pude. Pensei que as lágrimas fossem só para alagar aquele buraco vazio. As lágrimas foram a água que regou o que cresceria. Levou muito tempo pra crescer. Culpa minha. Ignorância. Teimosia. Chorei muito. Gritei. A mesma música. A melodia. Outros choros. Um coro. Todos juntos. Lembrar-me do significado vazio. O verdadeiro significado. Eu não admitia, eu nunca admitiria. Muita coisa me machucou. Tempo. Tempo. Tempo. Passado. O passado agora dói. Não quero mais ouvir a música. Passa a música. Vem a música. Passa a música. Passa quem lembra. Quem ela me lembra. Não lembra ninguém. Não lembra mais. É seu. Era nossa. Era nossa. A era. Ah, era. 
Não lembra mais ninguém. Lembra disso? Eu me lembro. 
Outro dia eu a ouvi. Outro dia ouvi a mesma música. A nossa música. Não é mais nossa. É minha. Eu não sou mais minha. Sempre teve dono. Sempre houve inspiração. Não era você nem eu. Era mais. Era melhor. Maior. Eu sei. Hoje, sei. É agora. Eu vejo, eu sinto. Nada mais é meu. Nem da música. Mas a música ecoa. Pode ser de todos; até nossa. Mas é dele. Bem melhor, não é? Quando a gente vê de verdade a verdade da verdade. E que verdade. Pois é. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sobre a morte

Não é a morte que me fascina. É vivê-la. Não a vida, mas a morte.
Viver a morte é viver com mais força a cada dia. Que fique claro, a sua própria morte. É chafurdar na lama e esfregar toda a nojeira em sua própria face. Sua e da morte. Nunca as confunda, a cara não é uma só. A sua pode não ser tão bela.
É preferível que morra eu a alguém que ainda não se decidiu sobre sua partida. Não que seja um desejo meu, pois sou na verdade bastante prepotente e acredito que ainda posso fazer algo por aqui e quem tem certeza da própria certeza é mais confiante.
Descreio do fim ou sentença.
É exatamente por saber que aqui a gente se acaba que eu costumo escolher não encerrar nada.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Deixa

Reclamou do clima ou da vida?
Tudo isso muda
Me diz como foi teu dia

Deixa o sol te beijar o rosto
Deixa o brilho da lua te cobrir a pele
Deixa eu tocar a alma
tua

É hora de caminhar
Hora de deixar fluir

é ruim
não tem lugar em mim
se é ruído

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A menina dos morangos

Quando a encontrei pela primeira vez, seu olhar era tão triste e vazio quanto meu sorriso em nossa despedida. Minha curiosidade, imaginei, incomodava mais a mim do que a atrapalharia, então decidi me intrometer em sua melancolia.
Perguntei por que parecia tão triste e ela disse que não era só parecer. O motivo? A vida não é bonita e ela sabia. Além disso, acabaram os morangos. A vida acaba rápido, assim como os eles, e não é boa de se vir e ver.
Nossa estadia, se bem olhada, é linda; Infelizmente, alguns olhos foram condicionados a enxergar nada que não seja o horror do mundo.
Os morangos dão no Inverno.
Ela acha que essa vida é a mais terrível bênção que alguém pode querer.
Eu só penso que é curta e que ela deveria comprar mais morangos. A época deles logo terminará. É por isso que precisa procurar o que te agrada antes do seu fim.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Minhas dores são superficiais, egocêntricas e individualistas. Dor mimada. É dor de mal amada, dor de quem não pensa em nada pra poder evitar. É dor vazia. É também dor boa, passa que a gente nem vê. São dores que nem doem, já que é só lembrança. É drama.

Barco

Estava à deriva
Presa numa agonizante calmaria
Queria qualquer tragédia
Em vez disso, soprou minha vela uma esperança fina

Eu não vou perecer
Nunca vou perecer
Não me deixa comandar o meu barquinho
Ele é pequeno, mas é querido
Toma minha rota e meu coração

Eu não vou me perder
Nunca vou me perder
Não deixa eu me afogar em qualquer mar que não seja teu amor

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Das coisas que eu fui

Eu fui um nome na areia
Eu fui uma tela
Eu fui um caderno
Eu fui uma carta
Eu fui o tempo
o experimento
a experiência
a primeira
a última
a única

Eu fui o erro
Eu fui o arrependimento
Fui a noite
a hora errada
o alvo
o dardo

Eu fui automaticamente
Fui a mente
ferida
esquecida

Eu fui a que superou
Que depois nem ligou
Quem começou
fui eu

sexta-feira, 19 de julho de 2013

descaso

versos curtos
escuros
extraídos com relaxo 
e asco
deixados de lado
sentados
à beira do caminho
qualquer referência
displicência 
(i)moral 

12 horas