Todos se divertem ao mar - inclusive você - boiado tranquilos ou brincando inocentemente. A calmaria te conforta, a brisa é agradável e o brilho da água te faz brilhar também.
Subitamente, algo puxa sua perna. A maré subiu e você vê alguns sendo afundados contra suas vontades. Você está desesperado, pensa em ajudá-los, até perceber que há outros usando os que precisam de ajuda como apoios. Eles continuam seus jogos, ecoam os risos e você não entende mais nada. Não é hora de fazer alguma coisa? Grite! Vá até lá!
Bate outra onda, você cai num buraco. A maré subiu. Apesar de voltar para a superfície, seus olhos e narinas ardem e a força que usa para se manter respirando e recuperar o fôlego só te deixa mais cansado. O reflexo dos raios de sol e o movimento da água te deixam perdido. Você não vê onde está, só sabe que cai. Sua perna é puxada por alguém que, mais a fundo e sem esperanças, tenta um último suspiro. Sua cabeça é empurrada por alguém que só quer salvar a própria pele. Há, porém, os que ainda se divertem. Estes, conhecendo sua força conjunta, estavam já entediados com a calmaria. Eles precisavam que a maré subisse, precisavam ter não alguém em quem apoiar, mas quem afogar. Sobem em suas costas. Derrubam. Puxam de volta quem tenta sair. Fazem questão de molhar até mesmo quem já se encontra em terra firme.
Talvez não seja maldade. Talvez seja só o ócio. Eu, contudo, não me arrisco nesse mar.
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